Da ?Terra Santa? ao ?Lugar Santo?

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Da ‘Terra Santa’ ao ‘Lugar Santo’

A terra da promissão no contexto

da sistemática católica

Bernhard Wunder

Quando cristãos na Alemanha falam hoje da ‘Terra Santa’,

pensam

em geral no Israel de hoje como terra de peregrinagem sem, com isso,

já entenderem limites políticos determinados

identificando, com isso, ambas as grandezas, a ‘Terra Santa’ e o Israel

de hoje simplesmente uma com o outro. Quando em seguida a

sistemática católica tematiza a questão de terra,

está para ser considerada antes de tudo, a diferença dos

lugares de posição – Alemanha e Israel/Palestina – mas

também o valor diferente de posição dos discursos

teológicos nesses lugares de posição. Assim, o

diálogo cristão-judaico na Alemanha, estabeleceu-se

aproximadamente no século passado e se descreveu em partes

essenciais em direção à Shoáh.

Um projeto

bibliográfico a isso,

enquanto sei, não há, assim que aqui só pode ser

remetido muito a-sistematicamente a contribuições

isoladas. …

 

Em Israel/Palestina, esse diálogo se encontra muito para

trás na agenda política, mas também na religiosa e

não se faz muito falar dele.

Isso também

não se

modificou realmente com as relações diplomáticas

entre o Estado do Vaticano e o Estado de Israel desde 1994. A visita do

papa Paulo VI em 1964 na ‘Terra Santa’ é que põe esse

desenvolvimento no contexto do 2º Concílio Vaticano e da

neo-orientação teológica deste, especialmente em

vista ao muito discutido documento Nostra

Aetate do ano de 1965, … Um debate significativo, porém,

não se juntou a ele.

Disso se pode tirar a conclusão de que o diálogo

cristão-judaico na Alemanha está sendo essencialmente

feito como uma auto-certificação de identidade, o que

aqui também pretende chegar a ser o objeto do ensaio. É

que nisso o momento não é a-problemático para um

gesto cristão-judaico de legitimação chegar

à luz do dia.

A antigotestamentologia

reflete essa

temática já para os diversos não

subsumíveis teólogos do Antigo Testamento, os quais

provam a necessidade de legitimação de programas

políticos, assim Egbert Ballhorn na sua conferência

“Não é que o país inteiro jaz diante de ti?

Promissão de terra e teologias de terra no Antigo Testamento” em

19 de julho de 2001 em St. Andreas

(Colônia).

Como se sabe, a sistemática católica, em todos os seus

tratados, remete a textos do processo judaico de

tradição, com os quais ela, entre outras coisas,

estabelece o seu próprio perfil de identidade. O

problemático nesse aproveitamento jaz agora naquilo que nisso

está sendo estabelecido uma imagem determinada,

ideal-típico do ‘Judaísmo’, do horizonte de

tradição judaico, de elementos da tradição

judaica e de coisas semelhantes, a qual justamente sirva à

identidade cristã. A fala da ‘Terra Santa’ numa

sistemática católica, portanto, deve ser a seguir

examinada nesses gestos legitimatórios.

1. Para desengatação da Promissão da Terra

Para a perspectiva sistemática é decisivo que o Novo

Testamento usa o termo grego terra

(guê – terra, pátria, solo etc. documentado

exclusivamente nos Evangelhos, dos Atos dos Apóstolos e e na

Carta de Judas) sempre em significados geográficos e

jurídicos, logo no sentido de região, paisagem, posse,

pátria, solo. O conceito ‘Terra Santa’ está documentado

somente num único lugar no assim chamado sermão de

Estevão (At 7,33), no qual está sendo aludido à

teofania na sarça (Ex 3,15). Os Atos dos Apóstolos

já supõem nisso já o Segundo Templo

destruído e a perda da terra prometida aos romanos. No contexto

desse sermão, além disso, está sendo de

única vez no Novo Testamento a Terra, como terra prometida

mencionada em At 7,3, igualmente em Hb 11,9 (aqui significante no

conexo duma parênese maior de fé). Nenhuma dos bem 60

lugares documentários de Abraão neotestamentários

conota a terra de promissão; em vez disso, Abraão

está sendo antes de tudo citado como figura paradigmática

da fé, aludindo nisso freqüentemente à

promissão da sua descendência.

Uma significação desigualmente mais alta e diferente

é que o texto hebraico atribui, na ordem do Tanak e

também na tradução deste ao grego, na Setenta

(LXX), ao termo terra. As aproximadamente 500 registos para erets

(hebr.: terra) não podem aqui ser ex-diferenciadas, referem-se,

no entanto, marcadamente à promissão de terra a

Abraão. Antes marginais e não realmente diferentes

são as documentações da tradição

profética (no contexto do exílio babilônico), as

quais conhecem uma relação a Deus sem

ligação exclusiva à promissão de terra.

Isso quer dizer que um

Judaísmo

de exílio era, também já dentro do Tenak,

pensável. No entanto, a    lógica’ dessa

terminologia de exílio profética fica ligada mais uma vez

na promissão de terra, enquanto ligada com promissões de

retorno.

De mais, tanto o Tanak como também a LXX dão a

designação ‘Terra Santa’ em três lugares:

uma vez no conexo duma visão de retorno do profeta Zacarias,

onde se trata do retorno do exílio babilônio para dentro

da Terra Judá e da tomada de posse da terra por YHVH (Zc 2,16);

depois no contexto da fala da ira divina a habitantes anteriores da

“terra santa” (Sb 12,3) e finalmente no conexo da

re-consagração do Segundo Templo 2Mc 1,7).


Com esses traços escassos, já uma tendência

decisiva se indica: Enquanto o Novo Testamento não se refere

significantemente à Terra Israel/Judá como terra de

promissão, o Tanak e a LXX se referem expressamente a ela.

Também os três lugares de documentação

“Terra Santa” produzem um conexo expresso com a terra de

promissão, cf. 2Mc 1,1-6 e Sb 12,7 com Dt 11. O Novo Testamento

obviamente desligou o momento de promissão da terra concreta

Israel/Judá formulando, entre outras coisas, em

direção a esse contexto, as suas afirmações

cristológicos, respectivamente co-inscrevendo nas

afirmações cristológicos.


Isso se confirma também pela modificação

terminológica significante no Novo Testamento, no qual a

programática cristologicamente esboçada da

promissão, embora ligada ao mesmo termo guê,

(grego: terra,

pátria, solo etc.), está sendo agora usada em

ligação com o conceito ‘céu’ (ouranós

Com isso se mostra que um perfil cristológico está

obviamente ligado com uma desligação/mudança

terminológica da terra Israel/Judá, que, como isso, uma

história cristologicamente perspectivizada de

salvação não pode aludir a essa terra senão

sem narrativa de promissão. Esse contexto explica também

porque uma sistemática católica não está em

condições de continuar uma promissão, seja qual

for ela, de terra esboçada no Tanak ou de eliminar ela no

sentido de declará-la como inválida porque tal

promissão não está inscrita no horizonte duma

cristologia. A Carta aos Filipenses expressa essa

substituição terminológica da promissão da

terra no mais pregnante para a nossa ordem de idéias, mesmo

quando primeiro esboce um outro contexto: “A nossa pátria

está nos céus, de onde também esperamos o

salvador, o Senhor Jesus Cristo”, (Fl 3,20).


Como a categoria terra no

Tanak está insoluvelmente ligada ao povo escolhido e à

Toráh, assim em todo o casso na perspectiva religiosa de

não poucas auto-descrições e tais de forasteiros,

e estratégia da história de salvação

dever-se-ia confirmar também nesses lugares de

argumentação, sem provocar com isso a impressão de

que, com essa tríade clássica (terra, povo, Toráh

= Judaísmo), o ‘Judaísmo’ seria compreendido

ideal-tipicamente nos seus momentos essenciais ou se deixaria

(re-)construir em direção a esses três conceitos. O

processo de tradição é vivo, diverso e não

uniforme – já em direção a cada um desses

conceitos – e conduziu até para dentro de auto-esboços

expressamente motivados não-religiosos, não somente no

tempo presente. Essa tríade se oferece, porém, aqui como

peça de ensino duma sistemática católica se

oferece naquilo que apanha certas passagens de texto correspondentes

para a exposição da própria identidade, e isso sob

a falta da promissão ligada à terra.


Quando a sistemática católica fala da ‘Terra Santa’, a

história de Jesus está sempre chamada como

história de salvação, mas não uma da

narrativa da(s) promissão/ões do Tanak. A vida nesse

país, as suas fronteiras, a sua história ou a sua posse,

em que essa história de Jesus está localizada, não

joga papel constitutivo para a sistemática católica.

Isso vale também

para partes do

Judaísmo, as quais nem da posse nem da vida nesse país

derivam um constitutivo do ser judeu.ou do seu ser judeu.

 

Por isso é que nem a soteriologia (doutrina de

salvação) nem a escatologia (antigamente a assim chamada

doutrina sobre as coisas últimas, hoje pode ser melhor: doutrina

da esperança cristã ou biblicamente: do Reino de Deus)

uma terra determinada de promissão para a perspectiva

cristã. Isso também está ligado com que o

Cristianismo não conta experiência nenhuma de terra

às suas experiências de existência, as reivindica ou

a elas remete, como p.ex. partes do Judaísmo que se referem a

experiências religiosamente contextualizadas fundamentais da

terra da promissão, assim p.ex. com vista ao conto de

Abraão para dentro duma terra prometida, à

opressão e ao êxodo ao, respectivamente de, Egito,

à migração pelo deserto e à assim chamada

tomada de terra, finalmente também à volta do

exílio babilônico e, no século 20, ao retorno da

diáspora de aproximadamente dois mil anos, respectivamente da

experiência do exílio. O discurso religioso liga, em todo

o caso, constitutivamente a categoria da terra de promissão com

aquela do povo escolhido e ao dom da Toráh.

Israel é a terra

na qual a

Toráh deve ser vivida (Lv 18,24-28), uma terra que mesma dependa

da Toráh (Lv 25,4), distinguindo-se por isso, sendo terra santa.

 

No fundo de um horizonte da história de

salvação,

uma sistemática católica, no entanto, fala da ‘Terra

Santa’ como dum ‘Lugar Santo’. A terra da promissão é,

por assim dizer, terra de peregrinagem, em que mostra uma

situação de relacionamento cristã-judaica bem real.

Por isso “o sucessor de

Pedro […] vem

como peregrino a essa terra, a qual está abençoada 

pela presença de Moisés e de Elias; aqui Jesus mesmo

ensinava e fazia feitos milagrosos…” VA 145,29. Também

Moisés e Elias são aqui

salvação-historicamente perspectivados, logo algo como

figuras pré-cristãs, as quais não mais se referem

à Terra da Promissão, mas im à pessoa de Jesus

Cristo. “Porque os cristãos celebram o aniversário

segundo milésimo do nascimento de Jesus, precisamos fazer esta

peregrinagem aos lugares onde começou e aconteceu a

história de salvação…” Publicações

da Sede Apostólica (AV) 145,13

 

Declarações cristológicas podem viver

completamente sem promissão de terra, de onde se também

explica porque o conceito ‘Terra Santa’ pode ser usado no

Judaísmo e também no Cristianismo e naturalmente

também no Islame, mas exatamente categoricamente fixado a um

sistema de relação completamente diferente, não

somente geopoliticamente.

2. À desligação do Povo da Promissão

Enquanto a terra de promissão só pode ser refletida

adequadamente com a fala do povo de promissão, deveria valer

reciprocamente que do povo da promissão só pudesse ser

falado no contexto da terra de promissão. A inversão

sinaliza, porém, uma diferença notável à

perspectivização da história de

salvação duma cristologia, a qual se apresenta na

declaração conciliar Nostra

Aetate de 1965 assim: “Ela [a Igreja] confessa que todos crentes

em Cristo estão incluídos, como filhos de Abraão

segundo a fé, na vocação desse patriarca, e que no

êxito do povo escolhido do país da escravatura, a

salvação da Igreja está misteriosamente

prefigurada.” A metáfora de filho aqui apanhada (crentes em

Cristo como filhos de Abraão) trava uma espécie de

laço familiar dos crentes em Cristo com Abraão e, com

isso, uma unidade quase-natural de cristãos e judeus. O

Cristianismo provém, nessa metáfora de filho, do povo de

Israel, pertencendo com isso permanentemente a ele. No entanto, e aqui

se inscreve a tendência acima mencionada de inversão, esse

horizonte se deixa esboçar somente sob o paradigma da fé

(filhos de Abraão segundo a

). Neste lugar, a declaração se refere

expressamente numa nota de pé a Gl 3,7, onde Paulo faz uma

alusão a Gn 15,6 e a aí descrita justiça da

fé de Abraão. Essa figura de Abraão está,

como mostrado acima, extremamente proeminente no Novo Testamento

inteiro.


No entanto,. Essa justiça de fé de Abraão

está sendo ligada, exatamente nesse lugar do Gênesis,

expressamente à terras prometida, assim no versículo 7:

Sou YHVH, que te eduziu de Ur dos caldeus, para te dar esse país

para posse.” Não será que se deve concluir disso que a

inclusão dos crentes em Cristo como metáfora de filho

funciona num horizonte comum de tradição com o povo de

Israel, só sob exclusão do ponto de referência

constitutivo, a saber da promissão de terra? É que aqui

temos de lidar, não com o Abraão do povo de Israel, com o

qual a promissão de terra se liga constitutivamente, mas sim com

um Abraão do horizonte da história de

salvação cristão, logo com uma figura de

fé, como esta corresponde à narrativa duma cristologia:

dar testemunho, confessar, crer. Abraão é aqui

então uma figura literária, a qual se deixa inscrever,

sob figura nova, no horizonte cristão.


Nesse fundo, uma continuidade ou um horizonte uniforme de

tradição (crentes em Cristo como filos/filhas de

Abraão) se ressalta, em rigor, não entre

‘Judaísmo’ e ‘Cristianismo’, mas sim entre ‘Cristianismo’ e

‘Cristianismo’: Desatação do povo da promissão.


O nascer histórico do ‘Cristianismo’ do ‘Judaísmo’

não pode ser negado com isso, mas tão pouco uma

diferença sistemática. Também a imagem

paulina  do enxerto num tronco (Rm 11,16-18) não deixa esse

conexo necessariamente como um sair quase-natural do ‘Cristianismo’ do

‘ Judaísmo’, mas se deixa também interpretar como a

compatibilidade de diferenças. Simplesmente dito: nem da

categoria terra nem da categoria povo se consegue chegar, portanto, ao

Cristianismo.

Teorias

cristológicas em voga,

nas quais Cristo confirma a aliança entre Israel e o seu Deus,

não encontram portanto o seu endereçado, por causa de

erro de categorias, …

 

Precedente é aqui, não a história, mas sim a

sistemática , logo o sistema de referência com o qual a

história de salvação está sendo

esboçada. O ‘Cristianismo’ , com isso, não se legitima

por meio ou a partir dum desenvolvimento histórico, mas sim por

meio ou a partir duma decisão orientada na pessoa, de que Jesus

Cristo significa às cristãs e aos cristãos mais

que tudo no mundo. Esse paradigma ‘cristão’, no qual está

sendo privilegiado um objeto temporal, finito, é um paradigma de

amor e, enquanto isso, necessariamente excludente, mas não

deserdante, sobrepujante, hostil ou intencionante de ódio.

Razão por que

também a

fala do Cristianismo, respectivamente da Igreja, como Israel verdadeiro

não acerta, em rigor, o horizonte judaico de

tradição não podendo, portanto, significar uma

sobrepujação do ‘Judaísmo’.

 

O modelo de comunitarização referido a Cristo “Igreja”

se

refere portanto não acidentalmente à narrativa

cristológica fundamental: ao credo e a sua

interpretação ortodoxa.

Essa diferença

está sendo

marcada por amplas partes da literatura exegética com o conceito

da comunidade de destino, com o que está sendo também

indicado que a Cristandade se comunitariza constitutivamente sobre o

destino de Jesus Cristo, não sobre uma promissão

terra/povo, …

 

3. À desligação da Toráh do Povo

Às indicações notáveis de que a

sistemática católica referente à Toráh

formula uma diferença, pertence a falta difundida deste conceito

“Toráh” em documentos católicos. Também no Novo

Testamento, esse conceito não está testemunhado, embora

hebraísmos e uma retórica hebraica não fosse

excluída de modo nenhum.

… É

notável que o

conceito TORóH no NT

não está documentado nem uma vez, porém nomes de

pessoas e lugares, bem como conceitos hebraicos como Amem,

Rábi, Maranatha, Abba

e aramaicos como Eloi, Eloi lama

sabachtani chegaram a fazer parte.

 

Em vez disso, está aludido à Toráh sempre mais

uma

vez com os conceitos ‘lei’ ou também ‘mandamentos’. Isso se

relaciona não acidentalmente com que a tradução

neotestamentária ao grego, nomos, em todos os seus significados

(lei, uso, costume, o ordenado) chegou a ser orientadora.


Que com essa tradução foi manejada a agulha decisiva,

mostra-se já em bem poucos traços daquilo que, na

tradição judaica, Toráh significa: Sob o aspecto

conceitual, mas também social, Toráh significa o ensinar

e aprender, instruir e indicar, introduzir e guiar; no sentido

estreito, Toráh designa também os assim chamados cinco

livros de Moisés, a assim chamada Escritura Sagrada revelada ao

povo escolhido Israel, ao que se refere um Judaísmo religioso.

Numa tradição rabínica, a Toráh está

sendo designada como o todo de Toráh escrita e oral. A

Toráh escrita está sendo entendida diversas vezes como

produto da tradição oral. Dentro da

tradição oral de comentários, um âmbito se

desenvolveu que se ocupa com o entender de entender e fazer de leis, um

outro com aquilo que diríamos, interpretar espiritualmente. A

Toráh tem incontestadamente, a posição preeminente

em geral, não só no Tanak.

Todos os 28 livros do

Tenak são

revelados por Deus; só a Toráh, porém, foi por

Deus no Sinai dada diretamente ao povo, …

 

Com essas poucas indicações é possível

perceber que a tradução neotestamentária de

Toráh com o nomos grego alcança, no máximo, um

único segmento do conceito hebraico de Toráh. Nisso, no

entanto, ainda não está sendo considerado que

também para esse segmento está sendo reivindicado em

contexto diferenciado, assim que, visto com exatidão, para a

tradução no Novo Testamento, nem se pode falar duma

Toráh reduzida. Isso se deixa, na literatura cristã,

re-alizar no apontamento freqüente ao assim chamado

decálogo. Pois esses assim chamados Dez Mandamentos valem como

“lei moral permanente e universal para sempre e valida em qualquer

lugar inscrita no coração humano”. Essa

Inscrição da lei universal de moral no

coração humano está aqui, porém, ligada a

um escrever para fora, um sair da Toráh, o que se deixa mostrar

em aspecto duplo. Nessa alusão ao decálogo está

sendo, em ampla extensão, ofuscado o contexto do Tanak como dom

ao povo e a relação deste à experiência de

povo e terra.

Também em lugares

onde essa

“lei” está sendo mencionada no contexto do dom a Moisés e

ao seu povo, respectivamente também no contexto da

Aliança, cf. AV 145,22, essa “lei” está sendo desligada

ao povo e da vida desse povo na terra da promissão: “Aqui [no

Sinai] está-lhe [a Moisés] a lei, a qual está

escrita ‘com o dedo de Deus’ (cf. Ex 31,18). O que, porém,

é essa lei? É a lei da vida e da liberdade!” AV 145,22s.

Nessa formulação, a lei não está mais

especificamente atribuída ao ‘contexto judaico de

tradição’.

 

A Toráh era, segundo Levítico, dada para a vida cheia

de

benções do povo eleito na terra prometida, enquanto a

alusão à lei universal de moral em Immanuel Kant

de-constrói esse contexto historiográfico do dom da

Toráh a Israel a favor duma universalização

cristológica.

Kant: “Age assim que as

máximas

da tua vontade possam em qualquer tempo ao mesmo tempo possam valer

para uma legislação geral.”

AV 145,23: Aliança e Lei compreendem nessa perspectiva todas as

pessoas humanas: “Quando as pessoas humanas observarem a Sua lei,

viverão em liberdade permanente. Êxito e Aliança

não são acontecimentos do passado; são destino

eterno de todo o povo de Deus”.

 

Também alusões à toráh de

coração em Jr 31 não devem passar por cima do que

era entendida, respectivamente construída, uma aliança

futura com a casa de Israel/Judá, cf. Jr 31,31. Segundo Mt 5,17

e lugares semelhantes, Jesus teria chegado, não para abolir a

Toráh ou os profetas, mas sim para os cumprir. Duma

abolição da Toráh ou dos profetas não se

pode falar, porque a lei no Novo Testamento está sendo chamada

para um quadro cristológico incompatível de

referência. Logo ficamos também a respeito da Toráh

diante uma diferença sistemática, a qual não

deveria ser minada e, além disso, não esboçaria

uma programática cristã.

Resultados

Essa fala de ‘Terra Santa’ numa sistemática católica

entabula-se numa géstica de desligamento já

esboçado no Novo Testamento. A fala cristã de ‘Terra

Santa’ tem um sentido pessoa-orientado, em direção a

Jesus Cristo, formado salvação-orientado, no qual o

sistema de referência de terra de promissão, povo e

Toráh para os crentes cristãos não é

constitutivo. Com isso, porém, nem o Tanak nem o horizonte de

tradição judaico não estão obsoletos para a

sistemática católica, com Marcião (cerca 85-160)

diz. O Antigo Testamento e extensamente partes neotestamentários

não precisam ser ‘desjudaizadas’, quando se quiser ainda usar

essa palavra monstruosa. Notavelmente, esse desvalorizar marcionista do

‘Judaísmo’ revela para o Cristianismo também um

anti-semitismo extremamente sublime, o qual consiste em que ambos os

sistemas de referência, o ‘cristão’ como o ‘judaico’ tomar

como compatíveis e, por isso, também perceber como

unilateralmente incômodos.


Só sob um esquema reprimidor tal de concorrência, o

‘cristão’ pode ser apresentado como o desenvolvido, o

verdadeiro, esperado, finalmente cumprido em Cristo. ‘Ortodoxia’

cristã primitiva recusou esse começo, porque obviamente

não partia a partir dum horizonte polêmico duma

descontinuidade sistematicamente fundada a elementos do horizonte de

tradição judaico.


Nos fundo apresentados jaz, por meu ver, o mandato do assim chamado

diálogo hoje jaz em terminar a longe história de

séculos de se desavir pelo que horizontes ‘cristãos’ e

judaicos de tradição fiquem claramente

(re-)conhecíveis pelos seus limites sistemáticos.


Tradução: <a

href="?id=1315">Pedro von Werden SJ 15/2/2008

Texto alemão:

Vom ‚Heiligen Land’ zur ‚Heiligen Stätte’

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