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Artigos | Contribuições Científicas (466)

Byrne SJ, Brendon | 01.04.2002

Sobre Relendo Paulo

por Brendon Byrne SJ

Pasmei da recepção dada ao Re-Reading Paul [Relendo Paulo]. Tinha, como entendo, ser reimpresso pelo menos onze - se não ainda mais vezes. Penso que isso é um grande tributo àqueles oficiais do Conselho de Cristãos e Judeus que conceberam o projeto e especialmente ao Reverendo professor Robert Anderson, que compôs o material disparato tão habilmente, assim que se lê como um todo coerente, muito aumentado, como queria acrescentar, pela anotada bibliografia suprida com o julgamento sadio caraterístico pelo Dr. Nigel Watson. Mas, à parte da qualidade do documento, perguntei-me repetidas vezes, porque tal interesse em Paulo. Podia entender isso mais prontamente em conexão com os Evangelhos Cristãos, que iriam aparecer ser mais aproximáveis e, daí, ter sido mais influentes que Paulo. No entanto, é esse documento que despertou muito interesse, e posso pensar em várias razões para isso.

A primeira de todas é que penso que haja ainda forte opinião dominante ao redor de que Paulo é o “2 o Fundador” - ou de fato “o Fundador”, ponto final - da Cristandade. Só uns poucos anos atrás o novelista e biógrafo britânico popular A. N. Wilson publicou uma muito legível vida de Paulo bem muito nessa veia.

A. N. Wilson, Paul: The Mind of the Apostle [Paulo: A Mente do Apóstolo] (Londres: Sinclair-Stevens, 1997).

A idéia é que Jesus de Nazaré era uma figura judaica carismática, que chegou a ser o líder dum movimento de reforma dentro do Judaísmo do 2o Templo numa linha profética, semelhante àquela liderada por João Batista. Como João, atraía a hostilidade das autoridades civis - no seu caso da força de ocupação romana, sofrendo assim, em contraste a João, a forma romana de execução. No entanto, outra vez como João, Jesus era perfeitamente capaz de ser acomodado dentro da rica diversidade do Judaísmo do 2o Templo.

As reivindicações que chegaram a ser feitas sobre ele depois da sua morte, forjando no seu nome uma religião nova que logo começava a espalhar através do mundo greco-romano: isso era tudo obra de Paulo, judeu de nascimento certamente, mas um profundamente influenciado pelas crenças e práticas religiosas de vários cultos pagãos, com os quais chegou a ser familiar durante a sua educação em Tarso. Paulo impôs sobre Jesus atributos quase-divinos, congeniais ao índole religioso desse mundo greco-romano. Nesse modo, torcia o movimento que guardava a memória de Jesus para longe do Judaísmo, tornando-o em algo completamente diferente em termos religiosos.

Nesse entendimento - que vou certamente desafiar - para pôr a Cristandade no reto, temos de pôr Paulo no reto e, daí, a importância de obras que tentam esclarecer o entendimento de Paulo.

Segundo - e isso está amplamente catalogado no Re-Reading Paul - há a centralidade de Paulo e dos escritos de Paulo para a Reforma, o evento mais significante na Cristandade ocidental desde a Idade Média. Está bem conhecido que o Reformador original, Martinho Lutero, chegou a crer que aquilo que encontrava objetável - e portanto reivindicando reforma - em certos aspetos do catolicismo medieval derradeiro, era exatamente o que Paulo encontrava objetável em certos aspetos do seu próprio Judaísmo ancestral. Lutero cria que, na sua luta pessoal por retificação pela fé, estava chamando de volta os cristãos à verdade do evangelho como pregada por Paulo. Isso significa, naturalmente, que Paulo - ou um entendimento distintivo de Paulo - está no coração da Reforma, sendo assim absolutamente central para o auto-entendimento e a identidade. Daí a controvérsia - e a delicadeza - da “Nova Perspectiva sobre Paulo” para essas Igrejas, especialmente aquelas duma persuasão evangélica.

Para os Católicos Romanos, Paulo chegou a ser muito mais significante nos posteriores anos do último século (20o), como grande parte do movimento renovador associado com o Concílio Vaticano Segundo (1962-65) era ocupado com chegar a termos, a final, com a crítica da Reforma e do entendimento de Paulo que estava no coração desta.

Um terceiro fator, talvez o mais significante nesse interesse em Paulo com consideração do Judaísmo, é provavelmente o senso de que a interface, se essa for a palavra certa, entre o Judaísmo e a Cristandade está para ser discernida mais pessoalmente na figura de Paulo. Dele é a personalidade que emerge mais forte e diretamente das páginas do Novo Testamento, porque está só nessa consideração que temos documentos claramente escritos por pessoa histórica identificável. As cartas escritas por ele testemunham diretamente a experiência dum membro judaico líder do movimento de Jesus no meio do primeiro século da era comum. Se quisermos descobrir o que acontecia em Jerusalém, em Damasco, em Antioquia ou em Éfeso, Atenas, Corinto ou Roma durante aqueles anos cruciais do movimento, estamos muito dependentes de Paulo. Porque simplesmente não temos outro ou, pelo menos, temos de ler entre as linhas dos documentos escritos um tanto mais tarde (como os Evangelhos), ou respingar o que pudermos dos escritores como o historiador judaico Josefo.

Certo, quando lermos Paulo no seu mais pessoal, como em lugares da sua carta aos gálatas, da sua carta aos filipenses e nos posteriores capítulos da sua carta aos romanos, encontramos alguém lutando em aflição com o que está na interface, tentando a lutar - pessoal, espiritual, pastoral e teologicamente, - com o que acontecia. Chegou a crer que Jesus de Nazaré, o homem crucificado pelo governador romano Póncio Pilato na páscoa nos primeiros anos dos 30, é o Messíah de Israel. A grande maioria dos irmão e irmãs judaicos não compartilha nessa convicção e, com toda a probabilidade, não vai. Doutro lado, números crescentes de não-judeus estão encontrando paz, esperança e conversão da vida através da mesma fé. Essa é a situação totalmente contrária à expectativa. Jogava na confusão o seu entendimento da Toráh, de Israel, de fato da fidelidade de Deus. Sua aderência apaixonada ao seu povo e fé ancestrais, a sua preocupação pelo bem-estar deste, permanecem tão fortes como sempre. Na última parte da Romanos adverte severamente os cristãos de fundo não-judaico contra qualquer tendência de rejeitar, desprezar ou cancelar Israel: não devem nunca esquecer que são a “oliveira brava” que foi enxertada no tronco original que tira a seiva da vida dos “pais” (Rm 11,11-13).

Assim penso que Paulo, lido compreensiva e não só seletivamente, comunica-nos um senso forte da muito pungente transição que se estava passando na sua vida pessoal. Nele, a angústia e o dilema que o ser judeu significava, e crente de que Jesus é tanto Messíah como Salvador do mundo inteiro, são vistos do modo mais pessoal e testemunhados em escritos de poder muito considerável. É difícil para qualquer cristão ou qualquer judeu ser indiferente a Paulo. O que, está claro, Re-reading Paul está tentando fazer é comunicar à audiência maior - clero, professores, leigos interessados - percepção daquilo que está sendo chamado na ciência do Novo Testamento Paulino de “a Nova Perspectiva sobre Paulo”, isso é o reassentamento radical dos seus assuntos distintos, auto-entendimento e relação ao Judaísmo, reassentamento esse que emergiu e encaixou-se fortemente nas últimos três décadas.

Veja E. P. Sanders, Paul and Palestinian Judaism: A Comparison of Patterns of Religion [Paulo e o Judaísmo Palestinense: Uma Comparação de Formas de Religião] (Philadelphia: Fortress, Londres: SCM, 1977); também Paul, the Law and the Jewish People [Paulo, a Lei e o Povo Judaico] (Philadelphia: Fortress, 1983); J. D. C. Dunn, Romans 1-8 [Romanos 1-8] (WBC 38A; Dallas: Word Books, 1988) lxiii-lxxii; The Theology of Paul the Apostle [A Teologia de Paulo, o Apóstolo] (Grand Rapids, Ml; Cambridge, Reino Unido: Eerdmans, 1998) 335-40; D. A. Hagner, “Paul and Judaism: The Jewish Matrix of Early Cristianity: Issues in the Current Debate” [Paulo e o Judaísmo: A Matriz Judaica da Primitiva Cristandade: Assuntos no Corrente Debate], Bulletin for Biblical Research 3 (1993) 111-30.

Deixem-me listar um número de pontos que vejo sendo caraterísticos da Nova Perspectiva:

  1. No lado mais negativo, há constante crítica da tradição luterana e interpretação, com a sua antítese clássica de Evangelho e Lei.
  2. Mais positivamente, há tendência de enfatizar as continuidades entre Paulo e a sua religião ancestral - tentar o ver dentro da ampla fileira do Judaísmo do Segundo Templo antes de “convertido” deste à outra, basicamente crítica religião.
    A ênfase na continuidade está talvez menos pronunciada na própria obra de Sanders com o seu apontar à significância de “transferir” categorias na soteriologia paulina e a sua insistência em “solução” antes de “compromisso” [plight] (veja especialmente Paul and Palestinian Judaism, 463-51).
  3. Na linha com uma mudança anterior na interpretação paulina, a nova perspectiva enfatiza a natureza ocasional das cartas de Paulo, inclusive a densamente teológica carta à Roma: as longas passagens teológicas não se erguem das suas referências teológicas propaladas por causa de si mesmas, mas sim pelas necessidades de racionalizar e justificar os termos nos que os convertidos não-judeus deviam ser admitidos à comunidade da fé, permitindo participação plena na vida desta ao longo dos fiéis de fundo judaico.
    Veja os estudos sobre a intenção e ocasião da Romanos, juntados na coleção editada por K. P. Donfried, The Romans Debate: Revised and Espanded Edition (Peabody: Hendrickson, 1991).
  4. Houve crescente reconhecimento de que fiéis de origem gentílico são os primeiros endereçados das cartas de Paulo, inclusive Romanos, e que, quando Paulo se referir a assuntos judaicos, especialmente àqueles da Toráh, faz isso para o benefício desses membros gentílicos e com os assuntos destes principalmente em mente. Qualquer polêmica soando anti-judaica almeja principalmente colegas missionários cristãos que tentem impor, sobre os convertidos gentílicos, práticas que nunca eram entendidas para eles. Quando fala aos fiéis gentílicos sobre aquele grosso daqueles que não chegaram à fé em Jesus como Messíah, o seu intento é evocar simpatia, entendimento e respeito e contrariar qualquer sugestão de que Deus abandonou, ou parou de considerar como especial, o povo chamado pelo nome de Deus.
    A extensão plena dessa tendência pode ser vista no trabalho de Mark Nanos: Te Mystery of Romans: The Jewish Context of Paul’s Letter [O Mistério da Romanos: O Contexto Judaico da Carta de Paulo] (Philadelphia: Fortress, 1996); “The Jewish Context of the Gentile Audience Addressed in Paul’s Letter to the Romans”, Catholic Biblical Quaterly 61 (1999) 283-304.
  5. A nova perspectiva tende a ver a maior galha de Israel nos olhos de Paulo como consistente, menos no ser encadernado com a pecaminosidade geral da humanidade (embora isso não esteja sendo negado), mas mais num particularismo étnico e orgulho que falham no reconhecer os desígnios escatológicos graciosos de Deus a favor do mundo gentílico, de acordo com as promissões a Abraão.
    Cf. Dunn, Theology of Paul 118-19, 145, 363-69.

Os leitores de Re-Reading Paul vão saber que há aspetos da Nova Perspectiva, referente aos quais é que tenho de fato reservas. Deixem-me simplesmente mencionar o que vejo serem os dois impulsos principais atrás da Nova Perspectiva sobre Paulo assim concebidos.

O primeiro impulso é histórico: um rever de Paulo e dos seus assuntos à luz do conhecimento muito maior que os cientistas agora têm do Judaísmo do período do Segundo Templo e do seu lugar dentro do ambiente greco-romano mais amplo do mundo clássico e pós-clássico. Amplo elemento no aumento daquele conhecimento era a ciência judaica ou, mais precisamente, disposição maior na parte de cientistas não-judaicos de engajar-se com os colegas judaicos e aprender destes. É interessante, por exemplo, com respeito aos Rolos do Mar Morto do Deserto de Judéia que, enquanto a ciência sobre os Rolos, para as primeiras três ou quatro décadas depois da sua descoberta, estava quase inteiramente cristã, ela está notavelmente judaica. Se não sabes ler hebraico moderno não-vocalizado, não pensa numa carreira em estudos sobre Qumran.

O segundo impulso é ético - a realização retardada e por muito tempo atrasada ciência bíblica e teológica referente à extensão em que interpretações particulares tradicionais do Novo Testamento contribuíram para a mentalidade, caricaturas e preconceitos que levaram ao Holocausto na Europa Cristã e de fato os legitimavam. Chegamos a perceber que nenhuma leitura da Bíblia é neutral; muita leitura está carregada de perigo; cada leitura levanta assuntos éticos, e aquelas leituras que criam liberdade para alguns, quase sempre criam cativeiro e opressão para outros. Ler a Escritura numa situação pós-Holocausto nos deve sempre levar a perguntar: Quais poderiam ser as vítimas, bem como quais poderiam ser os beneficiários, desta leitura, desta interpretação?

Quanto mais proceder no meu próprio trabalho, tanto mais percebo com é difícil para mim, como cientista cristão, colocar-me realmente nos sapatos judaicos de Paulo - para pegar nitidamente os seus preocupações, sua angústia, sua paixão, especialmente no que se refere à Toráh. Naturalmente, um cientista judaico terá dificuldades também, porque, justamente como eu vejo Paulo através da grossa e muitas vezes distorcedora lente da minha formação cultural e teológica cristãs, assim um cientista judaico moderno terá de confrontar o fato de que Paulo, como representante do Judaísmo do Segundo Templo, está no outro lado do desenvolvimento do Judaísmo Rabínico, este de que qualquer parte integrante do Judaísmo moderno é herdeira. Mas suspeito que posso ter mais dificuldades, por causa da necessidade a ser superado, ou pelo menos tomado em consideração, um duradouro senso cristão de que Paulo é “nosso homem”, que sabemos quem é e o que fazer com ele. Enquanto o Paulo histórico, se lhe tiver sido concedido olhada para a Cristandade como esta eventualmente se desenvolvia nos anos depois da sua morte, pode bem ter dito: “Não, obrigado! Isso não é ao que desejo pertencer de jeito nenhum.” Suponho que isso é caso de que, quanto mais chegares a entender sobre alguém ou algo, tanto mais percebes, quão pouco realmente sabes e quanto terás ainda a aprender.

Ainda, precisamos enfrentar o fato de que temos pelo menos três “Paulos” emergindo do Novo Testamento. Primeiro há o Paulo das sete ou tantas cartas que quase qualquer um concorda serem escritas pessoalmente por ele (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemon). Segundo, há o “Paulo” das cartas que quase todos. embora não e de nenhuma maneira qualquer um, concordam que foram escritas no seu nome por aderentes posteriores da “escola paulina”, as assim chamadas Cartas Pastorais (1 e 2 Timóteo, Titus); aquelas que particularmente davam a Paulo um nome feio, por causa dos julgamentos e instruções negativos das mesmas referente às mulheres, e o seu forte reforço da aderência à doutrina e disciplina tradicionais. (Cartas como Colossenses e Efésios caiem mais ou menos nessas duas categorias; mas o assunto é um pouco complexo demais para entrar nele aqui). Terceiro e finalmente, a do retrato de Paulo construído e apresentado muito impressionantemente no documento conhecido como os Atos dos Apóstolos, uma como continuação daquilo que chamamos o Evangelho de Lucas (At 9-28).

Poderias dizer: Está bom, o Paulo das letras autênticas - aquelas que escreveu ele mesmo - é o Paulo real, enquanto as outras apresentações, aquela das Cartas Pastorais e aquela dos Atos do Apóstolos) são interpretações. Mas não tão rápido, dizem os praticantes da aproximação literária aos textos bíblicos. O modo em que um escritor ou escritora se apresentar numa composição literária é justamente tanto uma interpretação quanta qualquer outra. Quando compormos um curriculum vitae, escrevermos uma carta recorrendo para um emprego, por exemplo, estaremos realmente apresentado-nos como somos - verrugas e tudo? Provavelmente que não. E o “Paulo” com quem deparamos na Gálatas é bem diferente do “Paulo” que se apresenta na carta à Roma. Cada uma é outra vez diferente da apresentação muito mais pessoal na Filipenses ou na curta carta a Filemon. Assim, temos realmente pelo menos três “Paulos” no Novo Testamento, e se poderemos uma vez chegar ao “Paulo real”, é uma boa pergunta. Estamos lidando, não tanto com Paulo, mas sim com uma variedade de “Paulos” - sendo o assunto crucial da interpretação nítida, responsável e ética.

O ponto de que queria fazer questão é que os três Paulos emergindo do Novo Testamento nesse modo, são de fato bem diferentes. Penso que a maioria das pessoas que têm familiaridade com o Novo Testamento, têm uma imagem composta, homogeneizada de Paulo, composta largamente do primeiro e do terceiro (do Paulo das cartas autênticas e do Paulo dos Atos). Talvez o último, enfim, chama os tiros, por causa da habilidade de Lucas de esboçar o caráter e contar boa história. Mas o Paulo das Cartas e o Paulo dos Atos são diferentes - diferentes precisamente na área que se refere a nós: a relação de Paulo ao Judaísmo. O “Paulo” dos Atos é um Paulo, sim, que luta (como o faz nas Cartas, especialmente na Gálatas) para ter os fiéis gentílicos, atraídos ao movimento de Jesus, aceitos sem a imposição neles das prescrições da Toráh - notavelmente a circuncisão (veja At 15). Mas, seja qualquer coisa que havia dos seus convertidos gentílicos, esse “Paulo” permanece pessoalmente um fiel judeu praticante. Escrupulosamente circuncida um jovem convertido de descendência mista, Timóteo, na base de que a sua mãe era judia (16,3); em Cencréia tomou votos de nazarita a serem cumpridos depois no Templo de Jerusalém (18,18); chegado em Jerusalém, como ato de piedade paga as despesas para a purificação de outros quatro similarmente sob voto (21,23-24). Tudo isso para refutar uma calúnia de que Paulo ensina os judeus que vivem entre os gentílicos abandonarem Moisés, contando-lhes que não tenham as suas crianças circuncidadas (21,21).

A questão é, naturalmente, se aquilo que descrevem os Atos como “calúnia”, não era mais verdadeiro do que o Paulo que emerge das Cartas, um retrato que o autor dos Atos está tentando a refutar por desenhar um Paulo muito mais “centrista”: um Paulo cometido ao modo de vida livre-da-Toráh para cristãos gentílicos, mas a um modo observante-da-Thoráh para os cristãos de origem judaica como ele mesmo. É interessante que - enquanto por décadas, senão para os últimos dois séculos, a ciência cristã crítica, na procura do Paulo histórico, favorecia o Paulo não-observante da Toráh das Cartas acima do Paulo observante-da-Thorá dos Atos - um cientista paulino judaico, Mark Nanos, um recente, ainda que um tanto fora do caminho, representante da Nova Perspectiva, argüiu muito fortemente para a validade da representação de “Paulo” nos Atos.

Mark Nanos, The Mystery da Romanos (veja acima).

Não é que devemos aceitar os Atos rejeitando o Paulo das Cartas. Antes, precisamos ver que, lidas retamente, como Nanos o entende, as Cartas representam um Paulo “centrista” muito mais alinhado do que os Atos o apresentam, ao Judaísmo observante-da-Toráh. Não estou certo que Nanos vá ganhar muitos para a sua interpretação. Mas certamente causou agitação, sendo levado a sério. Mais uma vez, ilustra o desafio que chega, quando as pessoas aproximam-se a Paulo duma perspectiva outra que a tradicional - no caso de Nano, naturalmente, aquela do Judaísmo.


O artigo inglês foi publicado em Gescher, 1996. Journal of te Council of Christians and Jews Austrália, Vol 2, N.o 4 (Outubro e 2001).

Tradução: Pedro von Werden SJNesta página acima

 


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