Jewish-Christian Relations

Entendimentos e Assuntos no Diálogo Cristío-Judaico

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Artigos | Contribuições Científicas (466)

Círculo teológico de trabalho

Anti-semitismo, Shoáh e Igreja

Estudo dum círculo teológico de trabalho

O círculo de trabalho:

Prof. Dr. Willehad P. Eckert OP, Düsselorf
Diretor de Academia Hans Hermann Henrix, Aachen
Abade Dr. Laurentius Klein OSB, Trier/Jerusalém
Prof. Dr. Dr. Karlheinz Müller, Würzburg
Oberstudiendirektor a D. Werner Trutwin, Bonn
Pfr. Dr. Michael Ulrich, Dresden
Prof. Dr. Herbert Vorgrimmler, Münster
Prof. Dr. Erich Zenger, Münster

Introdução

A palavra hebraica "Shoáh" significa catástrofe, desgraça, destruição. Hoje significa a perseguição e assassínio dos judeus europeus sob o Nacionalsocialismo. Mulheres e homens, anciãos, jovens, crianças e bebês foram, numa maneira até então não conhecida, humilhados maltratados, torturados e despojados da sua dignidade humana. Aqueles que sobreviveram os tormentos do transportes e dos campos de extermínio, encontraram um fim terrível nas câmaras de gás. Somente um pequeno número sobreviveu – gravemente marcado para a vida. Tudo isso aconteceu somente pela razão por que eram judeus.

O crime sem precedentes levanta muitas questões. Historiadores, e sociólogos, politólogos e psicólogos estão pesquisando o como se podia chegar a isso e como isso passou nos pormenores. Um fim dos esforços científicos não se vê até hoje. Em última análise, porém, um acontecimento tal não se deixa enquadrar no andar da história com os padrões de costume das ciências históricas. Exige, em primeiro lugar e no mais profundo, uma recordação moral, a qual ouça a voz das vítimas e se exponha a estas.

A recordação da Shoáh corresponde à orientação bíblica: "Memoriza!"(cf. Dt 25,17 e outros). Ela comemora as vítimas e exorta os vivos. A lembrança da Shoáh não deve ser apagada. Ela descobre falha e conduz à conversão. Ela desperta a disposição e pode chegar a ser fonte de agir. Pela força da recordação, os cristãos têm de se perguntar, qual co-responsabilidade e culpa a Igreja tem na secular inimizade contra os judeus, a qual finalmente conduziu à Shoáh. Isso, antes de todos, vale para os cristãos na Alemanha, de onde veio o planejamento de assassínio de milhões e a execução do mesmo.

I. O caminho à Shoáh e a História da Igreja

A. Causas de inimizade entre Igreja e Judaísmo

1. A Igreja provém do judaísmo e está com o judaísmo indissoluvelmente ligada. Segundo as palavras do apóstolo Paulo, judeus e cristãos podem-se considerar como diferentes ramos que têm crescidos na mesma oliveira (Rom 11,13-24). Os comuns fundamentos não impediram que, já nos começos da Igreja, tenha-se chegado a veementes disputas entre judeus e cristãos.

Pelo início, o conflito entre judeus e os adeptos de Jesus era uma contenda intra-judaica. Ela se acendeu no como ter-se-ia de interpretar a Toráh, se Jesus de Nazaré era o Messias anunciado pelos profetas, se com a sua ressurreição teria começado o tempo final e se a fé em Jesus justificaria perante de Deus. Os judaicos adeptos de Jesus eram convencidos disso e esperavam dele a salvação. A maioria judaica não compartilhava nessa fé, porque não podia conhecer que com Jesus teriam sido cumpridas as promissões bíblicas dum mundo são e justo. Quando os adeptos de Jesus, depois da morte deste e da sua ressurreição, anunciavam o Evangelho não mais a judeus somente, mas também a não-judeus ("pagãos"), o conflito inicialmente intra-judaico chegou a ser um tal entre judeus e cristãos dos gentios, entre Sinagoga e Igreja.

2. Nesse tempo prematuro nasceram os escritos do Novo Testamento. Refletem, em muitos lugares, a veemência das discussões daquela época entre judeus e cristãos. Essa polêmica podemos explicar como proveniente da decepção dos adeptos de Jesus por tão muitos judeus não aceitarem a fé em Jesus, e talvez também como reações a pressões e agressões da parte judaica. De extensa e trágica importância era a tendência dos escritores neotestamentários de responsabilizar os judeus pela morte de Jesus, enquanto a participação do procurador romano Poncio Pilato na condenação de Jesus foi minimizado. A culpa dos judeus foi estabelecida com este trecho da descrição da paixão: "Então gritou todo o povo: ‘Seu sangue venha sobre nós e sobre nossas crianças’" (Mt 27,25). Este grito, inexato ao vê-lo a partir da condenação e Jesus, chegou a ser motivo para delimitação e inimizade, servindo de fundamento para um secular antijudaísmo cristã. No tardio do século segundo chegou, em Melito de Sardes, a teologicamente insustentável acusação de que os judeus seriam assassinos de Deus. Até nos nossos dias, essa acusação foi repetida em teologia e pregação, em catequese e costumes. Tem causado prejuízo imenso. Numerosas perseguições de judeus foram com ela justificadas.

3. Além da censura de obstinação, que os cristãos fizeram aos judeus, os cristãos supuseram encontrar no Novo Testamento amor e perdão de Deus, e isso, antes de tudo, como livramento da lei (Toráh).

4. Na pregação, impôs-se a concepção de que a Igreja seria o novo e verdadeiro Israel, enquanto o povo judeu teria perdido a sua importância na história da salvação, trespassando-a à Igreja.

B. Estações da História da Inimizade aos Judeus no Ocidente Cristã

5. A religiosamente motivada inimizade aos judeus conduziu, desde o século 2, a uma abundância de tratados antijudaicos. Estes renovaram, até o fim da Idade Média, os estereótipos antijudaicos e os continuaram a desenvolver.

6. Depois da proibição de todos os cultos pagãos e heréticos pelo imperador Teodôsio I: Pelo fim do século 4, fizeram-se sentir na Igreja tendências de reprimir também o Judaísmo pela destruição de sinagogas e ações de conversão à força. Os imperadores cristãos, embora mantivessem a tolerância ao Judaísmo como "religião permitida", limitaram, mesmo assim, aos judeus os direitos como Cidadãos do Império; p. ex. foi-lhes proibido exercer ofícios ou construir sinagogas novas.

7. Ao lado duma tendência na teologia que continuava a apoiar a tolerância aos judeus sempre e finalmente na expectativa da sua salvação num dia no sentido da conversão ao Evangelho (Agostinho e Rom 11,25), a teoria de rejeição igualmente se desenvolvia; esta também acreditava em poder-se apoiar em tradições bíblicas. O lado-a-lado das duas direções manifestava-se freqüentemente nas mesmas pessoas. Determinava a atitude balançante de autoridades eclesiais através dos séculos e explica os freqüentemente contraditórios pronunciamentos e comportamentos. Os papas e os imperadores medievais perseveraram, em princípio, sempre na tradição eclesial-canônica e romano-jurídica, enquanto reis, príncipes e nobreza, bem como clero paroquial, monges e o povo eclesial freqüentemente maltrataram os judeus.

8. Em épocas de crises, carestia, guerra, epidemias, bem como de tensões sociais, a tendência de encontrar bodes de expiação, com bastante freqüência, dirigia-se contra o elo mais fraco da sociedade, a minoria judia. Populares pregadores estimularam o povo simples para perseguições e massacres de judeus. Em via de regra, havia vozes que se empenhavam pelos judeus. As autoridades seculares e espirituais, porém, freqüentemente não podiam ou não se esforçavam para proceder contra a fúria popular estimulada e oferecer proteção eficiente.

9.Como na teologia, a imagem de judeus negativa era também ancorada na piedade popular. Assim, perseguições de judeus, até massacres podiam ser apresentadas como obra querida por Deus. Durante a primeira cruzada, pregadores estimularam as multidões, as quais precediam o próprio exército de cruzadores, que vingassem o sangue de Cristo nos "inimigos de Deus" (cf. Mt 23,35s.). Embora os bispos, em via de regra, tentassem a proteger os judeus e cidadãos cristãos, em vários lugares, interviessem em seu favor, foram, no ano de 1096, milhares de homens e mulheres, anciãos e crianças mortos pelas hordas. Muitos judeus, em situação sem perspectiva, deram-se a morte a si mesmos.

10. Acusações de que no talmude e outra literatura judaica seriam insultados Cristo e a virgem Maria, conduziram no ano de 1242 em Paris, como mais tarde em outros lugares, à condenação e incineração do talmude. Como a esperada conversão dos judeus não veio, subia a tendência de libertar-se deles totalmente. Já em 1290, os judeus foram expulsos de Inglaterra e Apúlia, até 1395 da França em várias ondas. Efeito especialmente traumático deu a expulsão da judiaria da Espanha. O decreto de Ferdinando de Aragón e Isabel de Castília de 31 de março de 1492 pôs fim a uma culturalmente rica convivência de cristãos e judeus. Aos cristãos era proibido acolher os judeus expulsos. Assim, dezenas de milhares tiveram de deixar a sua nativa pátria espanhola.

11. Nos tempos modernos, não se realizou decisiva melhora no relacionamento aos judeus. Também as igrejas da reformação receberam a tradicional atitude inimiga aos judeus e a continuavam. Os judeus eram guetosados, e em nenhum lugar tinham os mesmos direitos como os cidadãos não-judeus.

No Ocidente da Europa houve, ao contrário à Europa Oriental, com o surgimento do Iluminismo um esforço pela melhora da situação legal dos judeus. Progressivamente, os direitos civis foram adjudicadas aos judeus. Aumentou a sua participação na economia geral. Isso, porém, expunha os judeus ao mesmo tempo e imediatamente às disposições e ações hostis aos judeus, as quais foram desatadas pelas crises do século l9. O preconceito religioso recuou, mas ficava disposto a ser chamado. Razões econômicas e sociais da inimizade contra os judeus da Europa chegaram a ser mais determinantes.

C. O caminho da Shoáh

12. No século 19 surgiu uma nova forma da inimizade aos judeus com a até então desconhecida afirmação de que os judeus pertenceriam a uma raça inferior. A ideologicamente carregada doutrina de raça ligou-se com as acusações econômicas, políticas e culturais contra os judeus. Esse moderno anti-semitismo extra-eclesial chegou a ser motivo de maligna discriminação e perseguição. Tinha tanto êxito, decerto, porque pôs a disposição anti-judaica dos cristãos na sua conta para os seus fins e a sabia utilizar.

13. Uma terrível mistura de racista, social, econômica, política e religiosa inimizade aos judeus era a condição prévia para a pior perseguição aos judeus de todos os tempos. O anti-semitismo racista chegou a ser o programa do Nacionalsocialismo. O próprio Hitler tivera defendido esse anti-semitismo aberta e ofensivamente já antes da sua subida política. Quando chegou a ser Chanceler do Império (Reichskanzler), começou para os judeus na Alemanha um tempo de horror. Muitos deles perderam sua colocação. Lojas judaicas foram boicotadas, livros de autores judeus publicamente queimados. Casamentos entre "arianos" e judeus foram proibidos pelas Leis de Nuremberga de 1935. Pouco a pouco os judeus perderam todos os direitos. Desde 1938 tiveram de pôr no vestido os nomes forçados de "Israel" ou "Sarah". Na noite de pogrom de 9 a 10 de novembro de 1938, em todo o Império Alemão as sinagogas foram incendiadas e devastadas. Lojas e moradias foram sacadas. Cerca de trinta mil judeus foram confinados em campos de concentração, cerca de cem assassinados.

Na conferência de Wannsee de 20 de janeiro de 1942 em Berlim, líderes nacionalsocialistas e oficiais ministeriais discutiram a execução e Coordenação da "Solução Final da Questão de Judeus" ("Endlösung der Judenfrage"), quer dizer a sistemática e completa destruição da judiaria européia. A conferência previa no plano a inimaginável catástrofe, que com os judeus chamamos de "Shoáh". Todas as importantes decisões, medidas e ações saíram da Alemanha. Nessas, cerca de seis milhões homens, mulheres e crianças perderam sua vida. Aqueles que podiam sobreviver foram na sua dignidade humana incuravelmente lesados.

14. Os nacionalsocialistas têm também afligido pena incomensurável a muitos outros grupos e povos na Europa, entre outros aos Sinti e Roma (= dois povos de ciganos. Trad.).

15. Nos anos da Shoáh, a Igreja não interveio em favor dos judeus como o teria exigido a fé cristã. E isso, embora não pudesse faltar clareza a cristão algum de que o anti-semitismo não é moralmente permitido e não é cristãmente defensável. Os papas Pio XI e Pio XII e os bispos tinham-se publicamente distanciado do Nacionalsocialismo totalitário e declarado que o racismo seria incompatível com os fundamentos da fé cristã. Referente ao pogrom do novembro de 1938, porém, não houve protesto oficial por parte dos bispos alemães. Também durante a Shoáh não sucedeu nenhuma inequívoca, pública e clara condenação desse assassínio em massa no povo judaico.

Pio XII, bem como cristãos individualmente, têm-se empenhado por judeus, de sorte que um número maior pôde ser salvo. Mas geralmente as ajudas dos cristãos e os protestos do ofício eclesial eram demasiadamente fracos. Um papel jogava, naquela época, certamente a preocupação não injusta de que, num intervir público pelos judeus, a crueldade dos nacionalsocialistas contra o povo judaico chegaria a ser pior ainda. Temia-se também represálias contra a Igreja. Nessa situação, porém e não por último, está dando efeito a longa pré-história da inimizade cristã aos judeus. Os muitos preconceitos sobre os judeus, divulgados em pregação e ensino, quase não permitiam que surgisse um sentimento de solidariedade com a perseguida minoria judia.

II. A Questão de co-responsabilidade e culpa da Igreja na Shoáh

16. A atualização da história entre a Igreja e o povo judeu esclarece, "como tem sido negativo o balanço das relações entre judeus e cristãos durante dois milhares de anos". Mas não basta somente constatar o fato da carga histórica. Além disso, os cristãos e a Igreja devem "na sua parte reconhecer a sua parte de responsabilidade". A Igreja, sabendo que ela "precisa de purificação" e por isso deve ir no caminho de mudança e renovação, já tem entrementes feito primeiros passos nesse respeito.

A. A condenação do anti-semitismo pela Igreja

17. A declaração conciliar "Nostra aetate", artigo 4 (1965) alterou decisivamente o relacionamento entre a Igreja Católica e o povo judeu. "Na consciência da herança que tem em comum com os judeus, a Igreja, que repudia todas as perseguições contra quaisquer pessoas humanas, lamenta, - não por razões políticas, mas sim impulsionada pelo amor religioso do Evangelho, - todas as erupções de ódio, perseguições e manifestações de anti-semitismo, as quais se têm dirigido em qualquer tempo por qualquer um contra os judeus." A rejeição do anti-semitismo pelo Concílio tem sido confirmada e precisada em muitos pronunciamentos da Sé Apostólica, de numerosos bispos e Conferências Episcopais.

18. A Comissão Vaticana para relacionamentos com os judeus tem indicado caminhos para a prática cristã nos seus instruções e indicações. O anti-semitismo é segundo isso, como qualquer outra forma do racismo, "um pecado contra Deus e a humanidade". No Contrato de Fundamentos com o Estado de Israel do dia 30 de dezembro de 1993, a Sé Apostólica repete "sua condenação de ódio, perseguição e de qualquer outra forma de manifestação do anti-semitismo, dirigido contra o povo judeu ou judeus individuais em qualquer lugar, a qualquer tempo e por qualquer pessoa".

B. Questão de Co-responsabilidade da Igreja na Shoáh

19. A clara e muitas vezes repetida condenação do anti-semitismo pela Igreja de hoje desobriga a ninguém do exame de se pesa na Igreja uma co-responsabilidade na Shoáh. A Igreja não criou um clima, o qual era de pensamento indiferente até hostil ao povo judeu e ao judaísmo, e o qual preparava o solo para a perseguição e destruição nacionalsocialistas no nosso século?

20. O papa João Paulo II falou de que a injustiça, a qual na história entre cristãos e judeus foi causada durante séculos aos judeus na Europa, foi mui freqüentemente inscrito para dentro de estruturas de pensar e de costumes", quer dizer que modos de pensar preconceituosos e também acusações não justificadas contra os judeus encontraram entrada, no decorrer duma longa história de motivos antijudaicos, na litúrgica, catequética e artística tradição da Igreja.

21. As estruturas de pensar e de comportamento eram um elemento no caminho à Shoáh. Certamente seria "injusto e inverídico atribuir esse crime inefável ao cristianismo. A cristandade não causou a Shoáh e não a pôs em execução. Aquelas pessoas, porém, que isso idearam e realizaram, eram na sua maioria batizadas e tinham recebido uma educação cristã; com o seu pensar e agir, arrenegaram o Evangelho e o calcaram aos pés. Os seus feitos, portanto, levantam a grave questão de porquê a Igreja e os seus fieis não podiam deter os agentes dos seus criminosos caminhos.

C. Confissão eclesial de culpa

22. Ao qüinquagésimo aniversário da libertação de Auschwitz em 27 de janeiro de 1995, os bispos alemães afirmaram: Uma atitude anti-judaica também na área eclesial "ajudou a conduzir a que cristãos, nos anos do Terceiro Império (des Dritten Reiches) não desempenhassem a obrigatória resistência contra o anti-semitismo racista. Houve entre católicos, muitas vezes, falha e culpa. Não poucos simpatizaram com a ideologia do Nacionalsocialismo, permanecendo indiferentes nos crimes contra propriedade e vida judaicas. Outros favoreceram os crimes ou até chegaram a ser criminosos eles mesmos. Desconhecido é o número daqueles que se horrorizaram com o desaparecimento de seus vizinhos judeus e, mesmo assim, não encontravam força para um protesto visível. Aqueles que ajudaram com o risco da sua vida, muitas vezes ficaram freqüentemente sozinhos. Hoje estamos gravemente aflitos, porque não se tem chegado senão a iniciativas individuais para judeus perseguidos, e porque até nos pogroms do novembro de 1938 não houve nenhum protesto público e explícito. ... O olhar em retrospectiva dos acontecimentos do novembro de 1938 e da tirania dos nacionalsocialistas de doze anos, apresenta a pesada carga da história. Lembra que "a Igreja, que confessamos santa e como mistério, também é uma pecaminosa, e que precisa de conversão"." (Palavra dos bispos de fala alemã, por motivo do qüinquagésimo aniversário dos pogroms do novembro de 1938).

23. A palavra dos bispos alemães confessa falha e culpa da Igreja na Alemanha. A perspetiva do exame de consciência da Igreja como toda, como também da Igreja nos países ocupados pela Alemanha Nazista e naqueles com esta em guerra, é outra. Aí se pode apontar para, p. ex., protestos episcopais públicos depois do pogrom do novembro de 1938. Ou convém lembrar, como na Polônia, o destroçamento da Jerarquia depois da ocupação do país. Também a representação da ajuda para as vítimas judaicas de homens e mulheres cristãos ou dos representantes de igrejas locais, respetivamente da Sé Apostólica, conhece muitos nomes e exemplares ações. E apesar disso, há múltipla motivação para exame de consciência da Igreja como um todo.

24. Para uma pregação e teologia de séculos, a continuação do judaísmo como caminho de vida e fé no plano de salvação de Deus não era prevista. Ela lhe era um enigma. A existência dos judeus como judeus lhe parecia anormal. O que parecia ultrapassado no pensar cristão, não encontrava a atenção devida em situações de perigo. Teologia e pregação tinham adormentado as consciências e enfraquecido a capacidade de solidariedade e resistência, quando emergiu na Alemanha e Europa o anti-semitismo nacionalsocialista com a sua brutalidade e energia criminosa. Assim chegou-se à múltipla culpa entre cristãos e na Igreja: à culpa não ter feito o bom, como também à culpa do fato maligno, à culpa de se calar e de reprimir, à culpa de negar e de omitir prestação de ajuda, como também à culpa de faltar ali onde protesto, ajuda e proteção eram necessários e possíveis.

III. As Tarefas da Igreja resultantes da Recordação da Shoáh

A. Os Pronunciados Bíblicos à Luz dos Fatos Históricos

25. Uma renovação do relacionamento de judeus e cristãos na sombra da Shoáh pressupõe que a Igreja lide com as suas Escrituras Sagradas mais sensivelmente. Para o cristianismo primitivo, não tinha o "Velho" Testamento no sentido duma fonte de segunda, passada ou ultrapassada. Os Sagrados Escritos dos judeus eram, antes, reivindicados no contexto do seu mundo judaico de vida. Em lugar nenhum no Novo Testamento é dito que a Bíblia dos judeus, por causa dessa reivindicação do cristianismo primitivo, teria terminado de ser o sagrado livro dos judeus. O reconhecimento da importância de Jesus, para o cristianismo primitivo, não era possível fora das concepções básicas da bíblia judaica. A força de convencer da prova de escritura para a especialidade de Jesus pendia da Bíblia de Israel. A interpretação neotestamentária da vida e destino de Jesus dava-se à luz dos Sagrados Escritos do judaísmo.

26. Para o judeu Jesus de Nazaré não se tratava de nenhuma outra coisa senão da verdade da fé em Deus judaica. Nem aquilo que Jesus quis, nem aquilo que finalmente o cristianismo primitivo anunciava para o mundo todo, tinha em vista um princípio religioso novo, ao lado ou contra o judaísmo. O funesto viver separados de cristianismo e judaísmo também não era, para Jesus, pré-programado pela disputa e separação por conseqüência da confissão nele (cf. Mt 10,16-39; 24,9-14 e outros lugares). Pois esses conflitos passaram-se no contexto intra-judaico. Também para o cristianismo primitivo, a fé de Cristo jazia nas possibilidades de interpretação da Bíblia Judaica.

27. O cristianismo primitivo continuou ampliando a sua fé na ressuscitação de Jesus de entre os mortos antes de tudo por consequentemente transferir a Jesus as titulaturas, que a tradição judaica mantinha prontas para o juiz ou salvador no fim dos dias. Com a ressuscitação deste, segundo noção judaica, aquele fim dos dias devia ter-se iniciado. Eram esses antes de todos os demais os títulos "Filho de Homem", "Senhor", "Cristo-Messias", "Filho e Davi" e "Filho de Deus". Cada um destes títulos tinha cada um o seu próprio lugar na tradição judaica. Entendimento cristológico posterior desses títulos de alteza não deve estar em contradição a esta origem.

28. A Igreja deve enfrentar o desafio de que os escritos do Novo Testamento contêm expressões (cf. lTs 2,14-16; Mt 27,24-25 ou Jo 8,43-44), as quais têm justificado inimizade aos judeus e aparentemente isso também podem.

Lidando com esses trechos não basta alegar os escritos de Paulo (cf. Rom 11,25-57), de Mateus (cf. Mt 23,2-3) ou de João (cf. Jo 4,22) outros trechos que mostram uma imagem positiva dos judeus. Tais comprovantes positivos não expurgam outros pronunciamentos negativos dos normativos documentos a Igreja.

A razão para toda a inimizade neotestamentária deve ser sinceramente reconhecida. É o fato de que já os primeiros adeptos de Jesus não conseguiram convencer os demais judeus da ressuscitação de Jesus e da sua messianidade. A separação da Igreja de Israel e as decepções e o segurar dos judeus nos seus tradições, manifestam-se em pronunciamentos da polêmica e da agressividade, os quais, embora se encontrem no Novo Testamento, de modo nenhum são válidos para todos os tempos. O contínuo fracasso da missão aos judeus permanece uma experiência de fundo da Igreja, a qual exige uma nova interpretação teológica.

29. Na teologia cristã naturalizaram-se modos de falar depreciativos referente à "lei" judaica. Não acertam naquilo que judaísmo primitivo entendia com "mandamentos e proibições da Toráh". Dentro da teologia cristã, esta expressão está freqüentemente pegada em questionamentos que surgiram na época da Reformação, e os quais tentava-se retro-projetar para dentro do relacionamento de Jesus ao seu ambiente judaico. Para os mais antigos graus da tradição de Jesus, um questionamento em princípio da Toráh e da Halaháh que a ela pertence, não é demonstrável. Antes, a obediência aos mandamentos e proibições da Toráh era o que determinava primeiro o cristianismo judaico palestinense. Nas tradições de Jesus dos evangelhos sinópticos falta uma própria discussão sobre a relevância de salvação da Lei (Toráh). O Evangelho de Mateus afirma, bem como a fonte de dicas que o precede, explicitamente (Mt 5,17; cf. Lc 16,17) que Toráh e Halaháh estariam em vigor como dantes. Só no ambiente da missão aos pagãos pouco a pouco rebentando, partes da Lei foram postas sem efeito sob apelação à autoridade de Jesus, mas sem questionar a importância para salvação dos mandamentos (cf. ainda Mc 10,17-19).

30. De urgência permanente é a questão de como chegou a acontecer a morte de Jesus na cruz. Durante séculos, os cristãos atribuíram em bloco aos judeus a culpa na morte de Jesus. Os judeus, por isso, foram considerados como "assassinos de Deus". Essa acusação, por razões teológicas e éticas, nunca era justificável.

O conflito no qual Jesus morreu, de modo nenhum é o cume duma contenda de Jesus com o judaísmo, especialmente com os fariseus (Mc 3,6), da sua época. Também não é a conseqüência duma disputa sobre a lei judaica. Provavelmente, a condenação de Jesus resultou por causa duma ação de sinal profética contra o templo de Jerusalém, a qual está ainda reconhecível no texto de purificação do templo (Mc 11,15-17). O templo era então lugar de jogo combinado entre a força de ocupação romana e da hierarquia dos saduceus. Quem atacou o templo e o relativou por uma profecia (cf. Mc 14,58), levantou-se contra a ordem temploestadual da Província da Judéia instituída e legitimada pelos romanos. A palavra contra o templo cumpria, segundo o direito romano, o fato de insurreição ("perduellio"). Conforme a lei judaica correspondia essa profecia a uma blasfêmia a ser punida com a morte (cf. Jer 26,1-19). Conforme o que estamos sabendo hoje, efetuou-se a condenação de Jesus à morte na cruz num processo judicial ordinário e na norma dum judiciário romano (e judaico) procedendo com exatidão. Esta averiguação histórica não permite nem então nem hoje uma atribuição de culpa a os judeus.

31. Incontestado, existe na teologia e escatologia cristãs, na ética e liturgia um efetivo de fundo, o qual vem da tradição. Todavia, deve-se duvidar se por pesquisar somente pelo teológico comum, o relacionamento entre judeus e cristãos possa ser renovado. Um futuro relacionamento entre cristãos e judeus não por último vai depender de se os cristãos reconhecem as tradições teológicas do judaísmo na sua consistência própria e na sua dignidade teológica respetivamente especial, se então no trilho da Bíblia (cf. Rom 11,17-24) renunciam do absolutismo do cristianismo perante o judaísmo.

B. A Shoáh e a Fala de Deus Salvador

 32. O refletir sobre a Shoáh levanta questões que mesmo perante a fé em Deus e a fala dele não param. A Shoáh arrancou à destruição exatamente aquele povo, ao qual valem a escolha e promessa de Deus: "Far-te-ei um povo grande, abençoar-te-ei e farei grande o teu nome..."(Gn 12,2s.) e "Tu, meu servo Israel, tu, Jacó a quem escolhi..."(Is 41,8-10).

33. O sofrimento dos inocentes, dos comprovados e especialmente das crianças tem empurrado de sempre à desesperada questão pelo porquê? e para quê?. O mal que foi feito na Shoáh e o sofrimento que ali foi sofrido, efetuam agravando como uma prova para a ausência, o silêncio ou a não-existência de Deus. A fé não pode prescindir deste mal e sofrimentos. A teologia como fala de Deus não pode ficar intangível à Shoáh.

34. O povo judeu, frente a seus sofrimentos, tem freqüentemente lutado com seu Deus e, em tempos de decadência perguntado: "Em quem outro devemos confiar senão no nosso Pai no Céu?" (Sota IX,14s.). Assim perguntaram também vítimas da Shoáh nos campos de morte. Têm-se agarrado a Deus e entraram na morte com a confissão: "Ouve Israel" ou com a melodia "Confio". A outros a fé foi destruída. Mas aconteceu também que vítimas, que eram alienadas da tradição religiosa, encontraram a fé em Deus nos campos da Shoáh.

Na controversa avaliação de se Deus estaria responsável pela Shoáh, é elucidativa numa oração de lamentação, a qual se dá como documento das últimas horas do gueto de Varsóvia: "Fizeste tudo para que eu não confie em Ti. Se pensares que consegues desviar-me do meu caminho, digo-Te, meu Deus e Deus dos meus pais, não conseguirás."

35. A partir de Auschwitz pode novamente chegar a ser claro: A oração é a busca da face de Deus (cf. Sl 27,8.10; 42; 63,2-4), a qual está escondida ao mundo.

36. O lamento das orações perante de Deus, o qual comemora o sofrimento das pessoas e da Shoáh, indica à fala de Deus um caminho. Deus não Se deixa pôr em fórmulas lisas. "Meus pensamentos não são vossos pensamentos, e vossos caminhos não são Meus caminhos - fala do Senhor" (Is 55,8). A incompreensibilidade do sofrimento é uma parte da incompreensibilidade de Deus. A pergunta: Onde estava Deus em Auschwitz? inquieta muitos corações. Ninguém tem autoridade para proibir a pergunta.

37. A fala de Deus como salvador e redentor e o entendimento de redenção caíram na sombra da Shoáh. A Shoáh escurece a transparência da história e destrói qualquer otimismo ingênuo referente ao sentido da história. Ela esconde que a história está sob o domínio de Deus. Antes de tudo, pergunta pela realidade de salvação, a qual a fé da Igreja liga a Jesus Cristo.

38. Verdade que Israel, na sua história cheia de vicissitudes, experimentou múltipla salvação por Deus. Exatamente em tempos de apuros enaltece na Bíblia a libertação da escravatura de Egito e a salvação da morte (Ex 1-15). Seus professores e profetas lembram em situações de perigo e penúria, de apostasia ou de exílio essa experiência central de resgate, para implorar a Deus ou para exortar o povo, erguê-lo ou fortalecê-lo na esperança de novo auxílio de Deus (c. Amos 9; Ez 20: Is 43,51s. e outros). No Novo Testamento, Jesus é "chefe e salvador", que conduz as pessoas do domínio da morte, "para libertar aqueles que por medo da morte passaram toda a vida na escravidão" (Hb 2,15).

39. Mas onde a salvação, muitas vezes prometida na Bíblia, não vem, a promessa parece revogada e retirada e a salvação ainda não realizada. Exatamente a Shoáh radicaliza o importante projeto judaico contra o entendimento de salvação cristão. O projeto judaico diz: "Não somos salvados." Argumenta que, considerando a realidade como ela está, não se pode falar em um ser salvada da criação. A história deveria correr de outro jeito, o mundo deveria ter um outro aspeto, se fosse salvado. Antes de tudo as vítimas da Shoáh, que perderam a sua luta pela sua vida, porque o mundo as abandonou, testemunham isto: não somos realmente salvados. Quando judeus dizem que o mundo não estaria conciliada ainda, cristãos não precisam contradizer isso.

C. A Igreja em Comunhão de Caminho com o Povo Judaico

40. No contexto da reflexão sobre o significado da Shoáh, a Igreja redescobriu a sua própria solidariedade com o povo judeu e a pôs em uma luz crescente de clareza. Para o Concílio Vaticano Segundo, essa solidariedade pertence ao Ser da Igreja, tornando-se presente no ato de auto-reflexão: Na sua reflexão ao mistério da Igreja, o Sacro Sínodo lembra o vínculo, pelo qual o povo da Nova Aliança está espiritualmente ligado com a tribo de Abraão. Deste pronunciamento, o papa João Paulo II tirou esta conclusão: "A religião judaica , para nós, não é algo de ‘exterior’, mas sim pertence de certo modo ao ‘interior’ da nossa religião. Logo, existem "relações de modo singular entre o cristianismo e o judaísmo: Ambos são ligados um ao outro no nível da sua própria identidade", disse João Paulo II no ia 6 e março e 1982, e essas relações "baseiam-se no plano do Deus da Aliança".

41. Instruída pela Carta aos Romanos, a eclesiologia vai destacar melhor a importância da Igreja como "co-participante na raiz da oliveira (Rom 11,17). A raiz é Israel – até hoje.

42. A continuação da escolha do povo judaico deve ser dada a entender aos fieis na Igreja. A continuação da Antiga Aliança não permite entender a Nova Aliança, na qual está a Igreja, como se fizesse a Antiga Aliança caduca ou a substituísse. A Nova Aliança não é outra do que a "Primeira" Aliança. Ela é a Aliança da Sua Misericórdia, repleta por Deus com nova força de vida, na qual Israel e a Igreja participam cada um de modo especial.

43. Como a fala de estar ultrapassada referente à Antiga Aliança, também deve ser recusado um entendimento em cuja conseqüência a Igreja substitui Israel ou o deserda. Também a imagem de dois caminhos de salvação paralelos não representaria o fato da origem comum, do desavir-se conflituosamente e do desafio permanente. Entre a Igreja e o Judaísmo reina um relacionamento rico em tensões, relacionamento esse que possui ao lado da proximidade a separação, o questionar ao lado da afirmação. A vizinhança, o vis-a-vis de Igreja e Judaísmo lembra o fato de que a Igreja "representa um broto de início deste Reino (de Deus) na terra", aguardando ainda a sua definitiva perfeição.

44. O caminho à perfeição do plano de Deus, Igreja e Israel andam cada um em sua própria identidade. É o mesmo Deus que os chama. Como Israel, a Igreja é povo de Deus caminhando: sempre de novo levada a caminho através dos desertos do tempo, sempre se estendendo ao fim do Reino de Deus. Até a chegada deste em plenitude, permanece o vis-a-vis cheio de tensões, o qual a Igreja respeita. Ela não quer a supressão ou dissolução do judaísmo. A missão aos judeus da "Igreja de entre os povos" era um erro. A Igreja afirma a missão de Israel.

D. O Grito por uma Ética de Vida

45. O crime da Shoáh tange nos fundamentos da ética cristã. Aconteceu num continente cunhado por uma longa história do cristianismo. A consciência dos cristãos e da Igreja deve reagir ao grito dos assassinados e torturados na Shoáh. Carregada com o peso de culpa histórica e ciente da perda de credibilidade moral perante o povo judaico, a consciência cristã reage no espírito de humildade e disposição para conversão.

46. A ética que ouve o grito das vítimas da Shoáh, está no serviço duma cultura de vida. Exatamente o povo que recebeu de Deus a proibição "Não deves assassinar" (Ex 20,13; Dt 5,17) e a transmitiu à humanidade, tinha de experimentar milhões de vezes o desprezo e negação dessa orientação divina.

47. O caráter de injustiça das medidas do estado nacionalsocialista e o criminoso das execuções foram velados pela fala pública, a qual não chamava as coisas pelo nome, mas reduzia o humano a um técnico. Com palavras de substituto, os nacionalsocialistas tinham velado aquilo que pretendiam fazer. Assim, falavam dos seus crimes servindo-se de mentira. O respeito da pessoa humana, da sua vida e da sua dignidade, ao contrário, encontra sua expressão numa linguagem que corresponde ao mandato da verdade e chama as coisas pelo seu nome. Tal linguagem é indispensável para a ética da vida.

48. A extensão da destruição da Shoáh chegara a ser possível porque uma indiferença e apatia impedia as pessoas e povos assistirem às vítimas mais enérgica e eficientemente do que acontecia para defender elas e as suas vidas e para preservá-las da morte violenta à qual foram destinadas. Mas aqueles que por motivo da sua fé cristã ou por outro impulso afirmaram-se como ajudantes, puseram uma medida de ética. Os perseguidos contaram geralmente como tais que trariam perigo e dos quais dever-se-ia manter longe. Àqueles, porém, eram irmãos e irmãs que se encontravam em necessidade e com os quais sabiam estar solidários. Muitas vezes, pagaram a sua solidariedade com a sua própria vida. No seu destino manifestou-se "a outra, segunda face da Shoáh". Eles eram, segundo entendimento judaico, "justos de entre os gentios" e viveram uma ética de responsabilidade pelo outro.

49. O esforço por reflexões éticas comuns, como por uma solidariedade prática, pode apoiar-se num rico tesouro de convicções comuns cristão-judaico. A dignidade de cada pessoa humana tem de ser protegida independentemente da sua origem, seu sexo, sua religião e de suas capacidades e singularidades. As relações das pessoas entre si na família, na sociedade e entre os povos e nações têm de ser cunhadas de recíproca solidariedade e disposição para paz. Opressão, expulsão de minorias e sistemas autoritários são excluídos. A manutenção da criação de Deus está confiada a nós, pessoas humanas, para que sejamos fieis depositários.

50. Pela primeira vez chegou a ser questionável na humanidade, pelo próprio homem, se amanhã ainda haverá homens. O futuro do homem é ameaçado pela sua falta de paz e pelo potencial de destruição na sua mão, pela sua ingerência na estrutura ecológica da terra, pela ambivalência das suas possibilidades científicas e por sua incapacidade para um distribuição de alimentos e dos demais bens da terra. Não só no agir, mas já no pensar e pesquisar o homo faber pode chegar a ser autor que ameaça a vida. Experimentos humanos e sociais podem pôr em perigo a identidade pessoal do homem. Por isso, precisa-se de decisões políticas de fundo, que sejam cunhadas de opções duma cultura de vida. Homens e mulheres judeus e cristãos têm nas suas tradições uma fonte de formular modelos de solução de problemas e perspectivas de esperança para um mundo, o qual não tem um futuro senão além de indiferença e falta de esperança.

Fim

Elevado e santificado seja o Seu grande nome
no mundo que criou conforme a Sua vontade:
Ele faça vir o Seu reino nas vossas vidas e nos vossos dias
e na vida de toda a Casa de Israel,
logo e em futuro próximo. A isso dizei: Amem.
(Kadish)


Notas de fim veja no texto alemão Tradução: Pedro von Werden SJ"top

 


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